Essas outras crianças
"Vossos filhos não são vossos filhos, são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós mas não de vós! E embora vivam convosco, não vos pertencem" (GIBRAN KHALIL GIBRAN)
Não podemos fechar os nossos olhos para a realidade social, biológica, psicológica e espiritual de nossas crianças situadas em terras brasileiras, pernambucanas, nas comunidades que moramos, nossos filhos.
Com muita propriedade o grande escritor Gibran nos mostra de forma poética, um pouco dessa realidade, ampliando a nossa percepção sobre esses seres que estão muitas vezes tão perto de nós e ao mesmo tempo nós tão distante deles.
Unindo a visão do poeta e os conhecimentos trazidos pela Doutrina Espírita, construímos os seguintes significados:
Nossos filhos são acima de tudo filhos de Deus, são Espíritos dotados de individualidade, inteligência e livre-arbítrio;
Há nas Leis do Universo o princípio da "auto-hereditariedade", ou seja, além de herdarem os caracteres físicos dos pais, nossos filhos fazem e trazem por si mesmos, conquistas no campo da intelectualidade (conhecimentos) e da moralidade (virtudes);
Os pais são apenas instrumentos para que esses Espíritos venham ao mundo, como co-criadores de Deus;
Por não nos pertencerem, um dia, como todos nós, nossos filhos como viajantes que são, retornarão para uma outra vida.
Sendo o Espiritismo uma Doutrina eminentemente educativa, nos mostra que é na delicadeza da idade infantil que esses espíritos estão mais acessíveis aos ensinamentos. É nessa fase que poderemos orientá-los para terem um presente-futuro melhor. Olhando-as de forma plena, como ser bio-psico-socio-espiritual, permitiremos que essa outra criança que se encontra em nossas crianças desperte e se desenvolva integralmente.
Apesar dos quinhentos anos de vida, o nosso País ainda se encontra com suas ruas repletas de crianças e adolescentes, não vivendo como tais, mas envolvidos na prostituição, no roubo, no "vício da cola", fora das escolas, enchendo nossas ruas, sinais de trânsito com suas faces estampando sorrisos tristes e gritos silenciosos de socorro.
Além dos nossos filhos, essas outras crianças possuem o direito de também serem FELIZES, e acreditamos que estaremos fazendo um trabalho efetivo junto delas quando:
Resgatarmos sua auto-estima, ao favorecer-lhes as condições mínimas de moradia, saúde e educação, dando-lhes dignidade para eles e seus pais;
Permitirmos que essas crianças sejam crianças, e não adultos em corpos de crianças, com o direito de sonhar, brincar, terem dúvidas, curiosidades, que idealizem!
Temos certeza que o processo evolutivo do ser é uma grande caminhada de autoconscientização de si mesmo e da realidade que o circunda, uma história construída com experiências na busca incessante da condição Divina em nós, objetivando a conquista tão merecida dessa palavra chamada FELICIDADE.
- Gustavo Filizola (PE)