Clonagem: certo ou errado?
As
possibilidades técnicas do mecanismo de clonagem há muito vêm seduzindo o pensamento de
pesquisadores. Alguns com adequados interesses científicos nutridos em bases éticas;
outros, com finalidade de alcançarem domínio na reprodução dos seres, direcionada para
fins obscuros.
As técnicas avançam e estão se aperfeiçoando em adequadas molduras científicas.
Algumas pessoas julgam que haverá grande perigo para a humanidade; para outras, trata-se
apenas de caminhos de aprimoramento da vida. Essa dualidade de apreciação é
compreensível diante da estrutura moral de nossa civilização, onde mentes desordenadas,
em várias posições e graus, sonham com a realização de seus interesses imediatistas e
a conquista de imensuráveis lucros.
A clonagem é método pelo qual se faz a transferência de material de herança de uma
célula comum para outra genésica (óvulo), seguindo-se a implantação no órgão
reprodutor de animal da mesma espécie. Tal material encontra-se no núcleo celular, os
chamados cromossomos, que albergam os genes, os autênticos elementos da herança física.
O núcleo da célula fornecedora dos cromossomos será implantado (microcirurgia) no
óvulo, que será devolvido ao mesmo organismo do qual foi retirado. A célula sexual,
tanto a masculina (espermatozóide) quanto a feminina (óvulo) possuem metade do número
de cromossomos, e alcançarão o total de 46 (na espécie humana), quando se unirem.
Na clonagem, a célula receptora, o óvulo ainda não maduro (ovócito) será preparado
mediante retirada do núcleo, a fim de receber o núcleo doador, já com o número total
de cromossomos da mesma espécie. Ativado o processo no laboratório, a célula é
impulsionada a dividir-se (início embrionário), sendo implantada, a seguir, na cavidade
uterina da espécie a que pertence. Assim, inúmeras células entram em multiplicação
nesta fase embrionária. Alguns técnicos aproveitam parte dessas células formadas para
nova implantação em outro animal.
O elemento, o ser daí resultante, terá a mesma características de herança do
fornecedor, diferentemente do que sucede na embriogênese resultante da combinação da
célula masculina com a feminina (espermatozóide e óvulo), cuja união restabelecerá o
número de cromossomos da espécie, com as características hereditárias dos dois
participantes. Neste processo normal reprodutivo poderá haver dominância de caracteres
masculinos ou femininos, apesar de o produto embrionário carregar a totalidade da
herança.
Esse método de microcirurgia tenderá a aperfeiçoar-se quando melhor conhecermos os
genes constitutivos dos cromossomos, seus respectivos códigos, situações e,
principalmente, a sua dinâmica. De futuro, haverá a possibilidade de interferirmos no
cromossomo sexual, masculino ou feminino, dinamizando-o a fim de conseguirmos exemplares
deste ou daquele sexo segundo objetivo previamente estabelecido.
As técnicas ainda se encontram no nascedouro, plenas de dificuldades, apesar de já se
ter conseguido clonagem com ovelhas e, de certa forma, com macacos. O método, por visar a
interferência na dinâmica biológica, está desde já reclamando um estatuto ético bem
aprimorado e, principalmente, o conhecimento dos campos energéticos organizadores da
forma, nem sempre aceitos pela ciência.
O processo de vida exige um impulso, um comando, uma direção precisa que
responsabilizada não pode ser, com exclusividade, ao plano material das formas. Estas
obedecem um direcionamento, um impulso, e não poderão jamais ser o resultado de um acaso
biológico, porquanto estão subordinadas a uma finalidade dentro de um trajeto
inteligente e de preciso dinamismo. Toda forma material de vida tem adequada formação e
limites, mostrando obediência e orientação. São as forças dos campos do Inconsciente,
ou Espiritual, as responsáveis pela orientação das formas e de todo o processo de
herança que a organização física reflete, desde as estruturas mais primárias dos
reinos da natureza à organização humana com os seus 60 trilhões de células. E como
todo esse mecanismo se mostra em cadeia evolutiva, a organização espiritual estará
subordinada aos degraus em questão. Assim, teríamos energias ou princípios inteligentes
do mais simples ao mais complexo, de coloridos e matizes muitíssimo variados,
distribuídos pela natureza e comandando as suas respectivas estruturas materiais, na
dinâmica de seus próprios automatismos.
O embrião resultante da clonagem terá obrigatoriamente sua energia espiritual para o
avanço morfogenético; isto é, a formação e a adequação material dependerá desse
campo organizador da forma. No caso humano, de possível clonagem, se lá chegarmos um
dia, como se daria a reencarnação? Acreditamos que de modo natural, com a ocupação da
estrutura embrionária dinamizada em laboratório. Fique bem claro que as equipes
espirituais que se encontram ligadas aos processos reencarnatórios terão, além dos
mecanismos determinísticos da grande lei palingenética, recursos e adequações
específicas, em que uma multiplicidade de fatores hereditários estarão em jogo, neste
mais expressivo fenômeno da vida. Estarão presentes fatores individuais, como
livre-arbítrio, limites e graus de evolução do reencarnante, posição
afetivo-emocional, conjunturas cármicas de toda a natureza, etc., ao lado de fatores de
ordem superior ligados ao próprio mundo espiritual e os limites do planeta onde vivemos.
Por enquanto, a clonagem, apesar do que já se conseguiu, ainda é questão delicada a ser
estudada, diante das finalidades a serem alcançadas, quer no terreno vegetal, no animal,
como uma espécie de preparo às produções e valores alimentícios, devendo ser afastado
o interesse do lucro imediatista ainda reinante em nossa civilização. A clonagem poderá
vir a ser técnica valiosa a atender os transplantes de órgãos, o estudo de certas
doenças, os testes de drogas e medicamentos, etc.
Certamente o processo avançará, a técnica científica se aprimorará, o conhecimento se
ampliará, a fim de bem definir o proibido do permitido. Com o conhecimento mais preciso ,
caminharemos em trilhas mais seguras, visando conseguir organismos mais sadios, quando
outras propostas mais avançadas e condizentes com o bem e a ordem, deverão ser afirmadas
nas trilhas da evolução.
- Jorge Andréa dos Santos (RJ)