Arte, justiça e espiritualização
Em um país como o "nosso", onde fala-se todos os dias em democracia e livre iniciativa, qualidade total e competitividade, mas que na prática vigora uma brutal injustiça social, afirmada por uma das maiores concentrações de riqueza do planeta: onde o sistema educacional, principalmente o da rede pública, funciona sem promover o lúdico, o humano, o artístico, em uma palavra, o transcendente. Onde os professores dessa mesma rede pública, em sua maioria, corre risco de vida pelo simples fato de ir ao seu local de trabalho e tem que fazer "bico" para almejar um pouco mais de "equilíbrio" orçamentário. Onde esse mesmo professor tem que trabalhar com os alunos para que eles sejam úteis e produtivos e não felizes. Onde, enfim, a neurotização é permanente e coletiva. Como explicar para a maioria da população que também vive em busca da sobrevivência possível e remediável, a importância da arte em suas vida?
Apesar desta realidade continuar sendo premeditadamente distorcida , quero dizer a você caro leitor: a arte é fundamental em nossas vidas! Pode chegar até nós para divertir, instruir, conscientizar e infelizmente manipular as nossas mentes para vender o desnecessário e dominar atitudes.
Como instrumento de libertação a arte é essencial. Toda criatura humana deveria ter acesso à produção e melhor ainda, deveria participar direta ou indiretamente de forma consciente da produção artística da sua comunidade.
Para que isto aconteça é necessário justiça social, essa justiça social promotora da cidadania, onde direitos são respeitados verdadeiramente, a partir da qual seja construída a espiritualizão das pessoa, independente de religiões, casta e propriedades.
Uma espiritualização embasada no humanismo, onde todos trabalhem em busca do "ser melhor", como filhos queridos do Criador. Uma espiritualização que promova a arte como instrumento educacional para a liberdade de consciência.
Uma arte que não esteja amarrada aos dogmas religiosos de quem quer que seja, nem aos traumas pessoais refletidos em falso moralismo que provoca agressões descabidas ao diferente e discordante.
Enfim, carro leitor, ouso apresentar um texto que se pretende poético para esta reflexão:
Filhos do Brasil
Somos lindos porque somos gente:
Nem melhor, nem pior que ninguém
Somos filhos dos ventos, dos caminhos
E dos canaviais daqui...
Nativos foram os nossos ancestrais mais lindos.
Somos o futuro de uma história confiscada,
A nossa índole transita entre a metrópole e a senzala.
A nossa cara não é só escrava,
Também é quilombola, revoltada e guerreira.
Somos lindos porque somos gente:
Nem melhor , nem pior que ninguém.
Somos filhos dos ventos, dos caminhos
E dos cafezais daqui...
Nativos foram os nossos ancestrais mais lindos.
Nem melhor, nem pior que ninguém:
Filhos da terra, filhos do Brasil,
Amém.
É isso aí. Arte, resistência, educação e esperança. A revolução da cidadania nos espera, sejamos éticas e ativos porque somos lindos, somos gente, não somos números!
- André Rocha (PE)